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Hipertensão Arterial ("Pressão Alta")

 
 

Hipertensão arterial (HA) ou pressão alta é chamada de "assassina silenciosa" pois geralmente não causa qualquer tipo de sintoma durante muitos anos até que um órgão vital seja afetado.

A doença causa diminuição da expectativa de vida e aumento da mortalidade de homens e de mulheres.

É o principal fator de risco para problemas cardíacos e também aumenta a probabilidade de doenças renais, derrames (acidente vascular cerebral), aneurismas e claudicação intermitente.

Entre 1981 a 1990, as doenças cardiovasculares foram a maior causa de mortalidade no Brasil, ultrapassando as decorrentes de fatores externos (acidentes e outros), neoplasias (câncer), e de moléstias respiratórias.

Em 1988, estimava-se que 15% dos indivíduos com mais de 20 anos e 35% com idade superior a 50 anos apresentavam pressões arteriais elevadas, o que corresponderia a pelo menos 10 milhões de portadores de hipertensão arterial. Esse número tende a aumentar com o passar do tempo e com a elevação da média de vida da população brasileira.

É muito importante entender que quem sofre de hipertensão arterial terá que fazer seu controle por toda a vida, visto que, na grande maioria das pessoas (95%), não se consegue descobrir sua causa.

De todos esses casos, felizmente, a grande maioria (90%) apresentará hipertensão leve, ou seja, fácil de controlar e tratar.

 

Diagnóstico da Hipertensão Arterial

O diagnóstico da hipertensão arterial é estabelecido pelo encontro de níveis tensionais acima dos limites superiores da normalidade, a pressão alta ocorre quando a pressão sistólica em repouso é superior a 140 mm Hg ou quando a pressão diastólica em repouso é superior 90 mm Hg ou ambos.

Quais são os tipos de hipertensão arterial?

  • Hipertensão sistólica isolada ocorre quando a pressão sistólica é maior ou igual a 140 mm Hg mas a pressão diastólica é inferior a 90 mm Hg, ou seja, a pressão diastólica está dentro da faixa normal. É mais comum em idades avançadas.
  • Hipertensão maligna é uma forma perigosa de alta pressão com evolução rápida, causando necrose de paredes das arteríolas no rim, retina etc. Se não for tratada, pode levar à morte em um período de 3 a 6 meses. Essa doença é bastante rara, ocorrendo em 1 a cada 200 pessoas que têm pressão alta. Ocorre com maior freqüência em negros, nos homens e em pessoas com menor poder aquisitivo.

Quais são as causas da hipertensão arterial?

Pelo menos 90% dos casos de hipertensão arterial (denominadas idiopáticas, essenciais ou primárias) são decorrentes de fatores não identificáveis mesmo quando pesquisados de modo exaustivo, sendo considerados de múltiplas causas.

Quando a causa é identificável, a hipertensão é denominada secundária. Nesse caso, algumas situações são passíveis de cura pela remoção do fator que a motivou. De 5 a 10% das pessoas possuem pressão alta provocada por problemas nos rins. Entre 1 a 2% das pessoas apresentam pressão alta devido a problemas hormonais ou ao uso de alguns medicamentos como, por exemplo, pílulas anticoncepcionais. Uma causa rara é a feocromocitoma, um tumor na glândula supra-renal que produz os hormônios adrenalina e noradrenalina.

Obesidade, vida sedentária, estresse e ingestão excessiva de álcool ou sal na alimentação podem ter um papel importante em pessoas predispostas a ter hipertensão arterial. O estresse tende a fazer com que a pressão aumente temporariamente, mas ela costuma retornar ao valor normal assim que cessam os fatores de tensão. Isso explica a hipertensão do avental branco: a tensão emocional da consulta médica faz a pressão do paciente aumentar suficientemente para ser diagnosticado como hipertensão.

Quais são os sintomas da hipertensão arterial?

Grande parte das pessoas com pressão alta não apresenta sintomas. Pode ocorrer, por coincidência, manifestações que são erroneamente atribuídas à pressão alta: dor de cabeça, sangramento do nariz, tontura, rosto avermelhado e cansaço. Esses sintomas, entretanto, também aparecem freqüentemente em pessoas com pressão normal.

Se uma pessoa com hipertensão arterial severa ou pressão alta passar um longo período sem tratamento, sintomas como dor de cabeça, fadiga, náusea, vômito, falta de ar, visão borrada aparecem provocados por danos no cérebro, olhos, coração e rins. Ocasionalmente, pessoas com pressão muito alta e em estágios avançados da hipertensão arterial, elas podem ter tontura ou mesmo coma, ou seja, encefalopatia hipertensiva, e necessitam de tratamento emergencial.

 
 

Tratamento da Hipertensão Arterial

 

A hipertensão arterial primária ou essencial não tem cura mas pode ser tratada para prevenir complicações. Antes da prescrição de qualquer medicamento, medidas alternativas são utilizadas:

  • Pessoas acima do peso normal são aconselhadas a reduzir o peso. - Mudanças na dieta para aqueles com diabetes, obesidade ou nível alto de colesterol também são importantes para a saúde cardiovascular.
  • Redução para menos de 2,3 gramas de sódio ou 6 gramas de cloreto de sódio ao dia (mantendo uma ingestão adequada de cálcio, magnésio e potássio).
  • Redução da ingestão diária de cerveja para menos de 720 ml ou menos de 300 ml de vinho ou menos de 60 ml de bebidas destiladas.
  • Exercícios aeróbicos moderados podem ajudar. Pessoas com hipertensão primária não precisam restringir as suas atividades à medida que sua pressão esteja controlada.
  • Fumantes devem parar de fumar.

Via de regra a HA primária responde facilmente à terapêutica anti-hipertensiva, e a perda do controle da pressão, também conduz à suspeita de causa secundária.

Em que casos o tratamento medicamentoso é utilizado?

As pessoas com hipertensão arterial alta (estágio 3) - pressão sistólica acima de 180 mm Hg e diastólica acima de 110 mm Hg, precisam receber tratamento medicamentoso imediato. Por outro lado, deve-se frisar que, o estágio 1 representado por números menores, não deve ser considerado de importância secundária, já que a maioria dos portadores de HA apresentam níveis tensionais leves, e as complicações aí incidem com maior freqüência. Portadores de diabetes mellito, mesmo quando a pressão arterial encontra-se dentro dos valores normais (pressão sistólica entre 130 e 139 mm Hg), é necessário o tratamento medicamentoso.

Como é o tratamento medicamentoso?

Qualquer pessoa com hipertensão arterial primária pode tê-la sob controle com uma ampla variedade de medicamentos disponíveis, mas o tratamento precisa ser adaptado a cada indivíduo. Para a grande maioria dos portadores de hipertensão arterial primária, o tratamento inicia com diuréticos ou beta bloqueadores, em geral tiazínicos, em pequenas doses. Além disso, existem indicações obrigatórias como nos casos de diabete mellito, onde os inibidores da enzima conversora da angiotensina são importantes na proteção renal ou nos portadores de insuficiência cardíaca, onde está universalmente aceita sua ação benéfica diferenciada, tanto na melhora funcional, quanto nas complicações e sobrevida.
Os medicamentos utilizados são:

  • Tiazida (diurético): ajuda os rins a eliminar o sal e água, diminuindo o volume de sangue dentro do organismo e conseqüentemente, reduzindo a pressão. Os diuréticos também fazem com que os vasos sangüíneos se dilatem. Provocam perda de potássio através da urina e algumas vezes pode ser necessário um suplemento de potássio ou um medicamento que retenha o potássio no organismo.
  • Bloqueadores adrenérgicos: grupo de drogas que inclui os alfa-bloqueadores, os beta-bloqueadores e os alfa-beta-bloqueadores. Atuam bloqueando o sistema nervoso simpático, responsável pela rápido aumento de pressão em resposta ao estresse.
  • Inibidores de enzimas conversoras de angiotensina e bloqueadores de angiotensina II: são antagonistas de cálcio e vasodilatadores. Reduzem a pressão dilatando as artérias.
  • Antagonistas de cálcio e vasodilatadores diretos: reduzem a pressão dilatando os vasos sangüíneos.

Como prevenir a hipertensão arterial?

A melhor maneira de prevenir é através de "modificações do estilo de vida". Embora eficaz, envolve maior empenho do paciente e a efetiva participação familiar, no que diz respeito à dieta alimentar e estímulo à adoção dessas medidas:

  • A redução do peso é indicada em todas as condições em que a massa corpórea estiver em níveis superiores aos índices definidos pela equação: Peso (Kg) > 30 S (m2) (onde o peso é expresso em quilogramas, e a superfície corpóreas em metros quadrados). A redução da massa corpórea pode promover a diminuição da pressão arterial e diminuir o risco de diabetes mellito e de dislipidemia (alteração do nível de colesterol e triglicérides).
  • O álcool pode causar aumento da resistência periférica das paredes arteriais e por isso elevar a pressão arterial e até torná-la refratária ao controle. Desta forma, a ingestão deve ser reduzida a no máximo 30 ml de etanol ao dia, o correspondente a 720 ml de cerveja, ou 300 ml de vinho, ou 60 ml de bebidas destiladas. Por diferenças de capacidade enzimática, as mulheres toleram menores quantidades de álcool, sendo recomendável não excederem a 15 ml de etanol ao dia.
  • As atividades físicas aeróbicas contribuem de modo inegável à redução da mortalidade. A prática por 30 a 45 minutos diários ajuda a redução do peso corpóreo e o controle das dislipidemias. Sabe-se que os indivíduos sedentários têm probabilidades de apresentarem hipertensão arterial elevadas em 20 a 50%.
  • Existe larga variação de resposta à ingestão de sódio, mas há inegável associação com os níveis de pressão arterial. Não resta dúvida na vantagem na moderação, incluindo melhora na resposta ao tratamento anti-hipertensivo.

O que acontece se a pressão alta não for tratada?

Aumenta os riscos da pessoa desenvolver problemas no coração, tais como falência do coração ou ataque cardíaco, problemas nos rins e derrame.

Pressão alta é o fator de risco mais importante para o derrame. É também um dos três fatores de risco para ataque do coração (enfarte do miocárdio) - os outros dois são fumo e nível alto de colesterol no sangue. Sem tratamento, menos do que 5% das pessoas com hipertensão maligna pode sobreviver mais de um ano.